domingo, 19 de agosto de 2012

Vida Religiosa: amor ou loucura?


Muitas pessoas têm feito este questionamento: seguir a Vida Religiosa (VR) é um ato de amor ou loucura? A resposta depende do seu ponto de vista. Devolvo a pergunta (pelo menos àqueles que são casados): O casamento é um gesto de amor ou uma loucura? Algumas pessoas sorriem. Algumas nada respondem, outras dizem: “É um gesto de amor, pois amamos a uma pessoa, com a qual nos casamos. E quanto a vocês que não podem ter uma pessoa para um relacionamento como fica? Vocês estão deixando de lado algo que faz parte da natureza humana: o amor a uma pessoa.”

Pois é. Amar uma pessoa não significa necessariamente ter a pessoa para si. O amor é sinônimo de liberdade. O egoísmo é que retém as pessoas para si. Querer bem a pessoa amada é deixá-la com liberdade de escolha e decisão.

O que acontece muitas vezes é que quando dizemos que amamos alguém queremos esta pessoa perto da gente sempre. De certa forma controlamos sua liberdade. Queremos que ela vá onde nós vamos, faça o que fazemos, goste daquilo que gostamos. Isso não é amor, mas egoísmo.

Ao nos remetermos à Bíblia, vemos o amor universal que Deus tem pelas pessoas, manifestado na pessoa de Jesus. Muitas pessoas acompanhavam Jesus porque se sentiam bem na companhia d’Ele e não porque Ele as obrigava a ficarem com Ele. Jesus pediu, ensinou e viveu este amor universal. Quis que seus discípulos amassem a todos igualmente, sem distinção ou preconceito. Com isso Jesus mostrou que a natureza humana deve ser educada para viver esse amor. Precisamos educar nosso corpo e silenciar nossos instintos.

Antes de entrar nos votos, gostaria de falar um pouco mais sobre a Vida Religiosa que não é uma idéia brilhante, mas, antes de tudo é um ato de amor. A Vida Religiosa é uma luz para compreender melhor o Evangelho e o seguimento de Jesus, é uma luz neste mundo obscuro que caminha sem rumo e esperança. A VR é uma voz profética. Na sua origem, como já foi dito no artigo “Vida Religiosa no Plano de Deus”, o desejo dos primeiros religiosos era de viverem a aliança do seu batismo de forma radical. A essência da Vida Religiosa está em amar a Deus Pai com toda a mente, coração, entendimento e ao próximo como a si mesmo. Pelo menos este é o convite e a proposta de Jesus.

Segundo Lourenço Kearns a Consagração religiosa “fala de amor. Fala do desejo sincero de amar a Deus compaixão, e de entrar em todo um processo de apaixonamento por Deus, porque descobrimos na contemplação que Deus foi quem primeiro se apaixonou por nós. E por causa do amor a Deus, nosso amor tem de chegar até sinais proféticos de amor ao próximo.” (Teologia da Vida Consagrada, p. 19)

A consagração a Deus é um ofertório contínuo de toda a vida do consagrado. Tudo o que este faz é para louvar a Deus, em quem encontra a razão da sua consagração total.

A Vida Religiosa nos convida a fazermos algumas renúncias manifestadas pelos votos do Celibato, da Pobreza e da Obediência. Estes votos professados pelos religiosos e religiosas são meios que ajudam a viver a Consagração radical a Deus.

Muitos ficam impressionados e perguntam: por que estas privações se estes aspectos fazem parte da natureza humana? Pois bem. Pergunto agora: você sabia escrever logo que nasceu? Acredito que não. Você foi aprendendo com o tempo. Assim acontece com suas vontades e desejos. É preciso educá-los para melhor viver. Por exemplo: se você rezar todos os dias vai perceber que é muito bom e vai buscar e querer rezar sempre mais. Assim você se educa para responder melhor a vocação e descobre a dimensão transcendental da sua vida.

Temos que aprender a educar nossos instintos. A castidade, por exemplo, “não significa nem pode significar menosprezo pelo matrimônio ou pela união física entre os cônjuges. Justamente por dar um grande valor a essas coisas, o casto não admite que o instinto sexual aja nelas cegamente, sem ser controlado pela razão”. (Pe. Luiz Carlos L. da Cruz).

Falar de castidade hoje é um pouco complicado, ainda mais porque a mídia está toda hora provocando nossos instintos. Mesmo com tanto exagero na TV, em jornais, revista, manter-se casto não é uma loucura, como o mundo prega, mas um ato de fé e muito amor. Uma pessoa nobre consegue viver assim, porque sabe que a função do ato sexual, não é outra, se não a de gerar filhos. São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios 6,19 diz que o “corpo é templo do Espírito Santo” e para tanto, deve ser respeitado. Aqui esta uma boa resposta e um grande convite para se viver a castidade. O respeito pelo próximo que não me pertence. O outro é templo, morada do Espírito Santo e não objeto dos nossos desejos e instintos. São Paulo prossegue no versículo 20: “Glorificai ao Senhor com vosso corpo”. Precisamos compreender melhor isso.

Amar as pessoas como morada do Espírito Santo e ver estampado nelas o rosto de Deus, nos ajuda a respeitá-las e não fazer delas um objeto de prazer.

Até mesmo os casados são convidados a viverem a castidade. Pe. Luiz C. L. da Cruz diz: “Se todo homem tem o dever de ser casto, pelo simples fato de ser racional, o cristão tem um motivo a mais para cultivar a castidade: ele é templo do Espírito Santo. Seus instintos devem ser governados, não apenas pela razão natural, mas pela graça sobrenatural”. O casto deve ter um brilho maior, resplandecer a luz que vem de Deus; é alguém feliz, e com virtudes.

Porém é claro que ninguém passa a viver do dia para a noite ou por um passo de mágica a castidade (assim como outros conselhos Evangélicos). É um exercício constante e requer atenção e vigilância. A graça de Deus tudo pode, basta se confiar.

Ainda trago as palavras e reflexões do Pe. Luiz, onde diz que a “castidade não é privilégio daqueles que nada sabem sobre o ato sexual (...). Casto é um forte, um herói, cuja fortaleza e heroísmo provocam inveja (...) O casto é um vencedor cuja vitória irrita o impuro que é derrotado pelos próprios instintos”.

A castidade não é um mal, mas um bem que fortalece a pessoa e enriquece seu espírito. É uma virtude dos santos, daqueles que põe Deus em primeiro lugar na sua vida e conseguem, ver no outro o rosto deste mesmo Deus.

Assim como este, também os outros votos, servem para a edificação da pessoa consagrada e para a salvação da sua alma.

A pobreza não significa miséria. Ser pobre é saber fazer uso das coisas que estão a sua disposição, mas que não são suas. Devemos lembrar-nos sempre que não devemos colocar o nosso coração naquilo que temos, nos bens matérias, aí eles serão mais importantes que Deus. Tudo o que temos é útil, mas nada substitui a graça de Deus. O que ocorre em muitos casos é que colocamos mais confiança nas coisas materiais que temos do que no próprio Deus. Os bens materiais jamais substituem os bens espirituais.

Uma pessoa com o voto de pobreza se alegra com o que tem, não reclama a todo o momento daquilo que não tem. Deveria saber controlar-se no uso de todas as coisas que dispõe. Pobreza na Vida Religiosa não é passar fome, mas saber partilhar, esperar, servir.

É desafiador viver o voto de pobreza num mundo que incentiva o ter e o consumismo exagerado. Mas é possível. Temos que educar nossos instintos e nosso egoísmo que muitas vezes fala mais alto.

“A virtude da pobreza pode se chamar de virtude da esperança, porque é por meio da pobreza que se vive a fraternidade, a partilha e a confiança na Divina Providência o que nos leva a acreditar que o Deus criador nos ama.” (Fonte não localizada).

A obediência é o voto que talvez mais custe viver hoje onde o mundo prega a autonomia e a liberdade, onde sou chamado a fazer da minha vida e do meu tempo o que bem entendo. Se retornarmos ao Evangelho veremos que Jesus veio para fazer a vontade do Pai e nos convida a mesma atitude. Seguir Jesus é viver como Ele viveu e não ficar inventando moda. É viver na radicalidade o Evangelho, o que Ele pregou. Dizia nosso fundador São João Calábria: “ou se vive ou então que se rasgue o Evangelho”. Falar até que é fácil. O difícil é realmente pôr em prática o que se diz. Para isso a Vida Religiosa é chamada a viver essa radicalidade.

A definição teológica diz que “a obediência religiosa na sua dinâmica e no seu dinamismo interior é a consagração total a Deus da própria vontade que causa comunhão intensa com a vontade salvífica do Pai, em imitação de Cristo servo sofredor. Obediência significa doação radical ao Pai, para poder viver o Primado do Absoluto. Obediência, portanto, tem a ver com amor”. (Fonte não localizada). Quem não ama, não obedece, porque vê tudo como obrigação e não convite à santidade.

O orgulho, o fechamento, o egoísmo, atrapalham a vivência da obediência. Precisamos nos confiar ao Pai, pois somente a Ele pertencemos e d’Ele tudo recebemos para nossa santificação. O que mais desejar que a graça de Deus? Ela nos basta.

Pela obediência e também pelos demais votos nos tornamos livres e dispostos a missão. Assim como alguns são chamados a constituir uma família, outros são chamados a viverem a Vida Consagrada. A Vida Religiosa é um convite para vivermos o amor a Deus e aos irmãos e não um amor egoísta que requer tudo para si.

Antes de tudo, a Vida Religiosa é um ato de amor, confiança, abandono, serviço, entrega total a Deus, de todo o ser: vontade, liberdade e afeto. A Vida Religiosa têm sua missão específica e especial de viver a radicalidade do Evangelho a partir do seu batismo. Este gesto de amor e entrega tem que ser livre e consciente, para que a missão seja realizada com amor total e doação da própria vida pela causa do Reino.

O que pode parecer loucura para alguns é um ato de amor extremo para outros, onde, deixam-se conduzir pelo amor e pela misericórdia de Deus. O consagrado apenas se coloca nas mãos de Deus sem reserva, restrições e é o próprio Deus quem vai conduzindo e fazendo caminhada com a pessoa, sempre respeitando sua liberdade. A atitude da pessoa é abertura para Deus e é Ele quem faz acontecer as maravilhas. É Deus quem opera na vida do consagrado. O que é loucura para muitos, é um ato de amor a Deus para o consagrado.

Os religiosos não são pessoas perfeitas, mas pessoas abertas para a graça de Deus, buscando em tudo fazer a sua vontade. A Vida Religiosa não é para perfeitos, mas para pessoas que aceitam a ação de Deus na sua vida. Pessoas para a quais basta o Amor de Deus.

Ir. Hermes José Novakoski, PSDP

terça-feira, 24 de julho de 2012

Por que sou Católico?



"Um só Corpo e um só Espírito, como uma é a esperança a que fostes chamados. Um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai" (Ef. 4,4-5).

A Fé Vale mais que o Ouro
A fé vale mais que o ouro. Assim, se a dúvida te assalta, certifica-te antes; se tua fé estiver correta, compartilha-a; se a perdeste, recupera-a.
"Eu antes era católico, porém agora sou..." Eu não aprovo, porém respeito tua decisão de ter trocado a fé que Deus te deu por aquela que gostas. Entretanto, permita-me dizer ao menos o porquê de eu ser católico e o porquê de eu querer continuar sendo...
  1. Eu sou católico porque esta é a Igreja que Cristo fundou. Isto é franco e sincero! Tudo o que Cristo faz, o faz para a nossa salvação. Se Cristo fundou uma Igreja, isto fez para nos salvar e todos devem aderir a ela (LG 14). Se Cristo não fundou nenhuma Igreja, então todas as igrejas são falsas e não devemos pertencer a nenhuma. Apesar de reconhecermos que muitos elementos de santidade e verdade podem ser encontrados em outras igrejas, para o católico não há sentido abandonar a Igreja de Cristo para ingressar em outra igreja fundada por um homem, por mais inteligente e famoso que seja. Cristo, nosso único Salvador, instituiu a sua Igreja Santa... Esta única Igreja subsiste na Igreja Católica (LG 8). Isto é lógico: se há um único Salvador, deve haver uma só Igreja. Respeito e reconheço as muitas coisas boas que existem nas outras igrejas cristãs, porém quero viver e morrer na Igreja que Cristo fundou.
  2. Eu sou católico porque a minha Igreja é uma família. Há quem afirma: "Eu sou cristão: sigo a Bíblia e não preciso da Igreja". Porém, isto é um erro pois ser cristão é viver em comunhão com os demais; Deus quer que nos ajudemos uns aos outros no caminho da salvação. Javé mandou Noé construir uma barca e se salvaram todos os que estavam dentro dela (v. 1Ped. 3,21). Se salvaram juntos, em família. Por isso a barca é símbolo da Igreja. Os israelitas se salvaram juntos, tendo Moisés como chefe e guia. A Igreja é o novo povo de Deus. Se tu crês que podes atravessar o deserto usando como mapa tua própria interpretação da Bíblia, não deveis culpar a Deus caso vierdes a se perder (v. CIC 781ss). Por isso, Cristo não escreveu um livro, mas fundou uma Igreja (CIC 108). Por isso, Paulo não chama a Igreja de "clube de Jesus", mas de "Corpo de Cristo", para que entendas que ao separar-te da Sua Igreja, estarás te separando de Cristo (v. Jo. 15,1-6).
  3. Eu sou católico porque na Igreja posso conhecer com certeza e totalidade a doutrina de Cristo. Cristo mandou seus apóstolos ensinar toda a sua doutrina a todos, por todos os séculos (v. Mat. 28,16-20). Cabe a nós escutá-los: "Quem vos escuta, a mim escuta; quem vos rejeita, a mim rejeita" (v. Luc. 10,16). Hoje há muitos que pregam a Cristo e, como São Paulo, nos alegramos; porém, queremos escutar somente aqueles que Cristo enviou. Estes são os apóstolos e seus legítimos sucessores. Estude Lumen Gentium nº 8.
  4. Minha Igreja é a Casa de Deus. Conheço templos protestantes enormes e belas; Cristo pode fazer-se presente aí se se reúnem em seu nome (Mat. 18,20). Porém não os troco pelo menor, silencioso e pobre templo católico porque aí está Cristo realmente presente, sob as espécies eucarísticas (v. SC 14). Aí posso falar com Deus como se fala a um amigo (v. Ex. 33,11). Há quem diga que todas as igrejas são iguais e é verdade, mas somente por fora; por dentro, na minha Igreja, sempre está acesa a lâmpada do santuário, símbolo da presença de Deus (v. 1Sam. 3,3). Com razão diz São Paulo que a Igreja é a casa do Deus vivo (v. 1Tim 3,15). Não estou disposto a deixar a Casa de Deus e ir para a casa do vizinho.
  5. Eu sou católico porque é a única Igreja que me oferece Cristo como Pão da Vida. Não quero que Cristo me reprove: "Examinais as Escrituras... porém não quereis vir a Mim para ter vida" (v. Jo. 5,39-40). Ele me convida: "Eu sou o Pão da Vida... o que vem a Mim não o encontra fora" (v. Jo. 6,34.37). Todas as igrejas cristãs examinam as Escrituras - é verdade - porém apenas a Igreja Católica me oferece Cristo: o Pão da Vida Eterna (v. Jo. 6,55-58). Se Cristo me deixou a Eucaristia como memorial de seu amor, como vou duvidar de seu amor? (v. CIV 1380). Não há dúvidas que todas as igrejas pregam coisas belas sobre Cristo, porém o que podem me oferecer em troca de receber em meu coração a Cristo realmente presente na Eucaristia?
  6. Eu sou católico porque Cristo me confiou sua Mãe. O discípulo amado ao pé da cruz representava todos os cristãos. Se Cristo me disse: "Eis aí a tua Mãe" como vou mudar para uma igreja que me diz: "Não, Maria não é a tua Mãe"? Se São João a levou para sua casa como posso ir para outra igreja que nem sequer me permite possuir um quadro de Maria?
  7. Eu sou católico por amor à Verdade. Segundo o princípio protestante da interpretação particular da Bíblia, cada um pode ensinar sua opinião. Respeito a opinião destes, porém Cristo é a Verdade e não a opinião. A opinião leva à confusão e à divisão; a Verdade leva à unidade e à certeza. Cristo edificou a sua Igreja como coluna e fundamento da Verdade (v. 1Tim. 3,15). Por isso, "a Igreja Católica é a mestra da Verdade e sua missão é expor e ensinar autênticamente a Verdade que é Cristo" (DH 14). Nós não negamos que existem em outras igrejas cristãs muitos elementos de verdade; contudo, recorde-se que também um pedaço de espelho pode refletir a luz do sol e, nem por isso, vou deixar o Sol para ficar apenas com o seu reflexo.
  8. Eu sou católico porque me entusiasma o testemunho de seus santos, o heroísmo de seus mártires, a multidão de suas virgens, o zêlo de seus pregadores, o ardor de seus missionários. Há quem pretenda confundir-nos citando os maus papas, os maus sacerdortes, a Inquisição etc. Assim lhes respondo: "A mim ensina-me uma Igreja que tem mártires que deram sua vida por Cristo, que tem missionários que pregaram o Evangelho, que tem mulheres consagradas ao serviço dos mais necessitados e com esta Igreja eu sigo". O silêncio dessas pessoas então torna-se eloqüente. Sim, é na Igreja Católica que vejo que o poder de Cristo é mais forte, a graça de Cristo é mais abundante, sua santidade mais atrativa, sua caridade mais eficiente e, por isso, sou e quero continuar sendo católico.
  9. Eu sou católico porque Cristo não se agrada com as divisões e quer que todos formemos, unidos, um só rebanho sob um só pastor. Jesus Cristo quer a unidade (v. Jo. 17,21). O sectário primeiro semeia a dúvida e a desconfiança; depois, corta e separa; por fim, monopoliza. Jesus Cristo quer que em sua Igreja exista um só rebanho e um só pastor (v. Jo. 10,16). Cristo deseja que estejamos unidos e não divididos em incontáveis igrejas ao gosto do consumidor (v. CIC 820). Os apóstolos nos exortam à unidade. "Um só corpo e não membros divididos, um só Espírito e não muitos espíritos, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai" (v. Ef. 4,4). Há alguns cristãos que afirmam aceitar apenas a Bíblia e se auto-intitulam pastores com direito a formar seu próprio rebanho, fundar sua própria esperança, inventar sua própria fé e estabelecer seu próprio batismo e, definitivamente, não aceitam outro senhor senão sua própria razão e juízo para interpretar a Bíblia.
  10. Porque meus pais me batizaram. Eu sou católico porque meus pais me batizaram - é verdade - e não me envergonho porque um pai quer sempre o melhor para seus filhos. A outros deixaram dinheiro por herança; a mim, deixaram a fé e não a troco por todo o ouro deste mundo.
  11. Sou católico pela graça de Deus. A fé católica é um talento que Deus te deu e irá te pedir contas dela. Sereis culpado se a perderdes por tua própria negligência (v. Mat. 25,24-28). Por isso, disse Jesus: "O que perseverar até o fim se salvará" (v. Mat. 10,22). O papa o afirmou há pouco tempo, com estas palavras: "O ensinamento das seitas e dos novos movimentos religiosos... se opõe à doutrina da Igreja Católica; por isso, a adesão a estes significaria renegar a fé em que fostes batizados e educados" (João Paulo II aos emigrantes). Se a fé é um talento de Deus, então tenho o compromisso de conservar, fortalecer e multiplicar a minha fé evangelizando aos demais. Isto me ajuda, ademais, a entender que não basta ter argumentos, é necessária a luz de Deus para apresentar a fé aos outros.
Assim, deixo-te os seguintes conselhos:

  • Estuda a tua fé católica. A Igreja Católica não teme a verdade; quem teme a verdade é a ignorância. Martinho vendia pedras do deserto para colecionadores; certo dia, um geólogo entrou em sua tenda para comprar algumas recordações para seus filhos; pegou uma que lhe chamou à atenção e perguntou: "Quanto custa?"; obteve como resposta: "Todas custam 20 dólares, porém, como essa é um pouco feia, posso deixá-la por 10 dólares"; o cliente pagou o preço e se dirigiu ao banco para depositá-la: era uma pedra preciosa em estado bruto, que valia mais de 1 milhão de dólares... Martinho, infelizmente, ignorava seu valor...
  • Pratica-a. Muitos trocam sua fé porque nunca a praticaram. A fé não entusiasma senão a quem a vive. Nessa mesma linha, declarou o papa há algum tempo: "Um dos motivos que podem levar a acolher as proposições apresentadas pelos novos movimentos religiosos é a pouca coerência que alguns cristãos vivem seu compromisso cristão e, também, o desejo de uma vida cristã mais fervorosa, que se pretende experimentar em certa seita, quando a comunidade [católica] que freqüenta é pouco comprometida. Porém isto é um engano. Do mal-estar interior - antes mencionado - se sai mediante uma verdadeira conversão interior, segundo o Evangelho, e não aderindo-se irreflexivamente a essa classe de grupos [religiosos]" (João Paulo II, Jornado Mundial do Emigrante).
  • Compartilha-a. A fé se fortalece compartilhando-a com outras pessoas. A força das seitas está no silêncio e na falta de ação dos católicos. A verdade não precisa de gritos nem de armas, se impõe por si mesma, basta pregá-la com clareza e vigor. Cumpre o teu dever de evangelizar compartilhando livros e folhetos sobre a Fé e o Evangelho, e ora antes de fazê-lo, para que Cristo abençoe a tua tarefa.
O Concílio nos FalaO Concílio reconhece que fora da Igreja Católica se encontram muitos elementos de santidade e verdade, e que nos sentimos unidos a esses irmãos em Cristo (LG 8). Porém, com igual firmeza, afirma que a plenitude da graça e da verdade foi confiada à Igreja Católica e à esta Igreja o Senhor confiou todos os bens da Nova Aliança (UR 3). Todas ensinam verdades - umas mais, outras menos - porém a Igreja Católica é a que possui toda a verdade (LG 4). Ela, por vontade de Cristo, é a mestra da verdade (DH 14). A Igreja reconhece que há muitos que honra a Sagrada Escritura como norma de fé e vida (LG 15), porém afirma que à esta Escritura deve-se unir a Tradição e o Magistério, de modo que nenhum subsiste sem os demais (DV 10). Como obra-prima, a Igreja de Cristo é imitada por todas as outras, porém nenhuma a iguala ou supera, por ser obra de Cristo.
Oração

Senhor Jesus:
Não deixes que os corvos da dúvida comam a semente da fé que Tu plantaste em meu coração,
nem seja sufocada pelos espinhos de minhas próprias paixões,
mas que, através do estudo e do testemunho,
crie raízes em meu coração e
produza muito fruto.
Amém.


Fonte: AGNUS DEI 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Mensagem Bento XVI - Urbi et Orbi

Boletim da Santa Sé




Mensagem
Benção Urbi et Orbi
Praça de São Pedro
Domingo, 8 de abril de 2012


Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro!

«Surrexit Christus, spes mea – Ressuscitou Cristo, minha esperança» (Sequência Pascal).

A todos vós chegue a voz jubilosa da Igreja, com as palavras que um antigo hino coloca nos lábios de Maria Madalena, a primeira que encontrou Jesus ressuscitado na manhã de Páscoa. Ela correu ao encontro dos outros discípulos e, emocionada, anunciou-lhes: «Vi o Senhor!» (Jo 20, 18). Hoje também nós, depois de termos atravessado o deserto da Quaresma e os dias dolorosos da Paixão, damos largas ao brado de vitória: «Ressuscitou! Ressuscitou verdadeiramente!»

Todo o cristão revive a experiência de Maria de Magdala. É um encontro que muda a vida: o encontro como um Homem único, que nos faz sentir toda a bondade e a verdade de Deus, que nos liberta do mal, não de modo superficial e passageiro mas liberta-nos radicalmente, cura-nos completamente e restitui-nos a nossa dignidade. Eis o motivo por que Madalena chama Jesus «minha esperança»: porque foi Ele que a fez renascer, que lhe deu um futuro novo, uma vida boa, liberta do mal. «Cristo minha esperança» significa que todo o meu desejo de bem encontra n’Ele uma possibilidade de realização: com Ele, posso esperar que a minha vida se torne boa e seja plena, eterna, porque é o próprio Deus que Se aproximou até ao ponto de entrar na nossa humanidade.

Entretanto Maria de Magdala, tal como os outros discípulos, teve de ver Jesus rejeitado pelos chefes do povo, preso, flagelado, condenado à morte e crucificado. Deve ter sido insuportável ver a Bondade em pessoa sujeita à maldade humana, a Verdade escarnecida pela mentira, a Misericórdia injuriada pela vingança. Com a morte de Jesus, parecia falir a esperança de quantos confiavam n’Ele. Mas esta fé nunca desfalece de todo: sobretudo no coração da Virgem Maria, a mãe de Jesus, a pequena chama continuou acesa e viva mesmo na escuridão da noite. A esperança, neste mundo, não pode deixar de contar com a dureza do mal. Não é apenas o muro da morte a criar-lhe dificuldade, mas também e mais ainda as aguilhoadas da inveja e do orgulho, da mentira e da violência. Jesus passou através desta trama mortal, para nos abrir a passagem para o Reino da vida. Houve um momento em que Jesus aparecia derrotado: as trevas invadiram a terra, o silêncio de Deus era total, a esperança parecia reduzida a uma palavra vã.

Mas eis que, ao alvorecer do dia depois do sábado, encontram vazio o sepulcro. Depois Jesus manifesta-Se a Madalena, às outras mulheres, aos discípulos. A fé renasce mais viva e mais forte do que nunca, e já invencível porque fundada sobre uma experiência decisiva: «Morte e vida combateram, / mas o Príncipe da vida / reina vivo após a morte». Os sinais da ressurreição atestam a vitória da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio, da misericórdia sobre a vingança: «Vi o túmulo de Cristo, / redivivo e glorioso; / vi os Anjos que o atestam, / e a mortalha com as vestes».

Amados irmãos e irmãs! Se Jesus ressuscitou, então – e só então – aconteceu algo de verdadeiramente novo, que muda a condição do homem e do mundo. Então Ele, Jesus, é alguém de quem nos podemos absolutamente fiar, confiando não apenas na sua mensagem mas n’Ele mesmo, porque o Ressuscitado não pertence ao passado, mas está presente e vivo hoje. Cristo é esperança e conforto de modo particular para as comunidades cristãs que mais são provadas com discriminações e perseguições por causa da fé. E, através da sua Igreja, está presente como força de esperança em cada situação humana de sofrimento e de injustiça.

Cristo Ressuscitado dê esperança ao Oriente Médio, para que todas as componentes étnicas, culturais e religiosas daquele Região colaborem para o bem comum e o respeito dos direitos humanos. De forma particular cesse, na Síria, o derramamento de sangue e adopte-se, sem demora, o caminho do respeito, do diálogo e da reconciliação, como é vivo desejo também da comunidade internacional. Os numerosos prófugos, originários de lá e necessitados de assistência humanitária, possam encontrar o acolhimento e a solidariedade que mitiguem as suas penosas tribulações. Que a vitória pascal encoraje o povo iraquiano a não poupar esforços para avançar no caminho da estabilidade e do progresso. Na Terra Santa, israelitas e palestinos retomem, com coragem, o processo de paz.

Vitorioso sobre o mal e sobre a morte, o Senhor sustente as comunidades cristãs do Continente Africano, conceda-lhes esperança para enfrentarem as dificuldades e torne-as obreiras de paz e artífices do progresso das sociedades a que pertencem.

Jesus Ressuscitado conforte as populações atribuladas do Corno de África e favoreça a sua reconciliação; ajude a Região dos Grandes Lagos, o Sudão e o Sudão do Sul, concedendo aos respectivos habitantes a força do perdão. Ao Mali, que atravessa um delicado momento político, Cristo Glorioso conceda paz e estabilidade. À Nigéria, que, nestes últimos tempos, foi palco de sangrentos ataques terroristas, a alegria pascal infunda as energias necessárias para retomar a construção duma sociedade pacífica e respeitadora da liberdade religiosa dos seus cidadãos.
Boa Páscoa para todos!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Missa não é opereta

Opera é um teatro todo cantado. Opereta, um teatro declamado, falado e cantado. Pode haver danças no meio. É mais ou menos isso! Os detalhes eu deixo para os especialistas em artes cênicas. Missa é culto católico, com séculos de história, que não depende de lugar para acontecer, mas, em geral, acontece num templo. Não é nem nunca foi ópera ou opereta. Quem dela participa não é ator e nem o presidente da assembléia nem os cantores podem ser sua principal atração.
Mas são! E o são por conta de um fato: a maioria não estudou ou não respeita as orientações dos especialistas de uma ciência chamada “liturgia”. Liturgia deve ser o que impede que o altar vire palco, e o lado direito ou esquerdo dele vire coxia! Regula o culto de maneira que transpareça a catequese e a teologia daquele momento. Na hora em que o presidente daquele culto, ofuscado pelas luzes e pela fama local ou nacional, e algum cantor ou cantora deslumbrado com a sua chance de mostrar seu talento roubam a cena, temos mais uma exibição de opereta, num templo católico. Gestos, corridinhas, roupas lindas, música que estoura os ouvidos, o padre onipresente, inserções aqui e ali no script do que tratam como peça de arte, vinte músicas para uma missa, as canções duram 50 minutos e as palavras da missa 12 ou 15, o sermão do padre 25… E o povo que não pagou para assistir, é convidado a deixar sua contribuição no ofertório. Na semana que vem haverá outra exibição… Isto, nos cultos em que o altar vira palco e o celebrante que poderia, sim, ser alegre, comunicativo, acolhedor, resolve se o ator principal com alguns coadjuvantes chamados banda católica.
Nos outros cultos chamados de eucaristia e tratados como eucaristia a coisa é bem outra! Tem decoro, tem lógica, obedece-se ao conteúdo e aos textos daquele dia, as canções são verdadeiramente litúrgicas, os leitores sabem ler e não engasgam, os microfones não estouram, ninguém toca nem fala para ensurdecer, músicos não entram em competição, nenhum solista canta demais, cantores apenas lideram o povo, ninguém fica dedilhando cançõezinhas durante a consagração, como fundo para Jesus que faz o seu debut, as canções são ensaiadas e escolhidas de acordo com o tema da missa daquele dia, não se canta na hora da saudação de paz porque ninguém diz bom dia, ou como vai cantando… Tais coisas só acontecem nas operetas…
Nas missas sérias e com unção ninguém fica passando à frente ou atrás do altar, ministro não fica mexendo no altar enquanto o padre prega, padre não exagera nas vestes, não berra, não grita, não dá show de presença, tudo é feito com muita seriedade e decoro. O padre até se destaca pela seriedade. Celebra-se, dentro das nuances permitidas, o mesmo ato teológico com implicações sociais que se celebra no mundo inteiro. Todos aparecem e ninguém se destaca.
Mas receio ser inútil escrever sobre estas coisas, porque pouquíssimas bandas e pouquíssimos sacerdotes admitem que isso acontece com eles… E ai de quem disser que acontece! Mandam consultar o ibope sobre as novas missas transformadas em operetas, nas quais se privilegia mais canção do que os textos do dia. Perguntem se, depois daquele “somzão” e daquelas inserções com exorcismo, oração em línguas e outros adendos não aumentou a freqüência aos templos! É! Pois é!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

MEU JEITO DE CRER

Creio porque vejo e porque não vejo.
Creio porque ouço e porque não ouço.
Creio porque leio e porque penso.
Creio porque um pregador me disse.
Creio porque está no livro santo.
Creio porque meditei.
Creio mas sei muito pouco.
Creio mas ainda não entendo.
Creio mas ainda não estudo como devo.
Creio mas ainda tenho dúvidas.
Creio mas quero saber mais.
Creio mas não brinco de ser crente.
Creio e sei que preciso crer mais.
Creio, mas não me guio por um só pregador.
Creio cada dia mais porque leio cada dia mais.
Creio para além do meu grupo.
Meu grupo não tem tudo o que preciso saber:
Minha Igreja é maior do que o meu movimento!
Jesus é maior do que todas as igrejas!;
Não posso beber só da fonte do meu movimento,
Nem só da minha ordem!
Creio na luz do sol, mas creio também em portas,
Janelas e cortinas
Se não há suficiente luz na nossa casa
E no nosso templo,
Está na hora de rever a abertura das janelas,
A limpeza dos vidros
E a cor das nossas cortinas
O problema não é do sol:
É das nossas aberturas.

Padre Zezinho, scj

Doeu a Civilização do "EU"

A civilização na qual triunfou o “eu”, em geral adoeceu, sofreu e, se não morreu, doeu. Nietzsche a descreveu na sua usual forma sarcástica. Vivesse ainda hoje, aumentaria seu escárnio e seus adjetivos. Engenhosa, a modernidade inventou, a cada dia, novas e maiores formas de corromper, de matar e de proteger os indivíduos vitoriosos porque poderosos. A lei realmente não chega lá. Vemos isso todos os dias no Brasil. Desviou, mas não devolve nem vai preso! Há exceções, mas são exceções.
O culto ao indivíduo que pode, chegou lá e é vitorioso, prossegue na política, na mídia e na religião. É fácil perceber isso nos noticiários sobre os grandes e famosos. Há um misto de veneração e adoração por que venceu pela beleza, pelo esporte, pelo dinheiro e pela fé. A eles critica-se mais, mas permite-se mais. O espetáculo do esporte, da beleza, da pregação revela o panorama externo, mas não o interno dos fatos. Jesus a isto se referia em Mt 6,5 quando afirmou:
E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. (Mateus 6: 5) Por fora é espetáculo de fé, mas por dentro é tudo menos fé.
Com as devidas aplicações, observe-se o mesmo no mundo perseguido pelos holofotes. Nada errado em aparecer. O mal de tudo isso é que, não poucas vezes, ressalta-se em excesso o indivíduo que se elevou acima da comunidade. Virou semideus porque se destacou. Os que têm consciência do seu papel apressam-se a atribuir seu sucesso a outros e a não permitir que seu “eu” suplante a comunidade. Mas eles são raros, porque a era do individualismo exacerbado continua a fazer vítimas.
Mal saímos do fascismo, do nazismo e do comunismo, e já há pequenos ditadores querendo o mesmo caminho. Ainda há eu demais no mundo, em todas as modalidades. Não é que nosso eu deva desaparecer. Mas é melhor que se ajuste, porque os bilhões de “eu” só sobreviverão dentro do grande “nós” que lhes protege a individualidade.
Individualidade, sim, individualismo, não! Já pensaram no que aconteceria se um piloto de avião excessivamente individualista decidisse levar todos os outros “eu” do avião para onde ele quisesse? Sua individualidade está subordinada à dos demais. Sujeitar a vida e a rotina de todos ao nosso capricho seria individualismo. De certa forma, na economia, na política e em algumas igrejas é o que tem acontecido. Cuidemos com a expressão muito usada em algumas igrejas e partidos: -Tome posse do trono! Não tome não! Aceite a cruz do serviço!

Padre Zezinho, scj

Ateus militantes

Ateus militantes estão dizendo que a religião faz mal ao mundo. Querem o mundo menos religioso. Alegam que os religiosos atravancam o progresso e são inimigos do conhecimento, da ciência e da liberdade. Citam as guerras e o terrorismo de fundo religioso, os pecados e as imoralidades de milhares de religiosos, as divisões e o fanatismo dos que chegam ao poder.
Não falam de Hitler, Stalin, Pol Pot, Mao Zé Dong, Fidel Castro e outros ateus que, só no último século, massacraram milhões de pessoas ou eliminaram os seus rivais em fétidos cárceres, enquanto usavam o progresso e o bem do seu povo como desculpa para as suas atrocidades. Crimes por crimes, História revista, é difícil dizer quem mais feriu, eliminou ou matou.
Mas, assim como há ateus bons e humanistas que jamais matariam quem quer que fosse, houve e há bilhões de crentes que jamais feririam algum irmão, nem mesmo com palavras duras. Quanto a ter opiniões sobre vida, aborto, divórcio, homossexuais, evolução, casamento, economia, ciência e experimentos e expressá-las não é crime. Eles se expressam, os religiosos se expressam. Quem o fizer com ódio será réu dos seus atos, mas divergir é um direito dos de lá e dos de cá.
Crentes militantes que agridem o outro que não crê, apenas porque o outro não crê e ateus militantes que agridem o outro que crê, apenas porque o outro crê precisam rever suas atitudes. Não são nem tão humanos, nem tão livres, nem tão crentes, nem tão democráticos quanto parecem. Quando alguém elimina o outro e os direitos do outro da sua agenda, faz isso não por ser ateu ou crente, mas por não ter entendido o que é ser pessoa.
Ao invés de canonizar o ateísmo ou o teísmo como mais inteligente, mais razoável ou mais sensível e humano, talvez devam redescobrir o sentido de pessoa entre pessoas. Talvez devamos começar por este conceito. Os cristãos já sabem o que João dizia de quem diz amar a Deus a quem não vê e odiar o irmão à sua frente. É um mentiroso! ( 1 Jo 4,20) Diga-se o mesmo do ateu com a sua ciência ou a sua ideologia, quando seus objetivos passam por sobre a moral ou os direitos da pessoa… 

Padre Zezinho, scj